15/04/2014

Resenha - Quando Tudo Volta


Nome: Quando Tudo Volta
No Original: Where Things Come Back
Autor (a): John Corey Whaley
Tradutor (a): Carolina Caires Coelho
Páginas: 224
Editora: Novo Conceito
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.

Quando soube que a Novo Conceito lançaria o livro fiquei muito feliz porque ele era um daqueles muito elogiados tanto pela crítica quanto pelo público. Livros assim estão se tornando raro, ainda mais com histórias que passeiam entre o adulto e o jovem. A história de John Corey Whaley é singular. Não estava certa do que iria encontrar e só o que me vem à mente é a palavra singular. Um personagem diversos pontos de vista e uma história que aparenta ser mais de uma.

Cullen Witter, o rapaz que leva uma vida de cidade do interior, que tem uma irmão mais novo muito parecido com ele e que vê o primo morrer de overdose. Cullen está nos últimos momentos do ensino médio e acompanha como um observador a vida, seja na sua família ou na sua cidade, Lily em Arkansas. Enquanto o primeiro de Cullen morria, John Barling, um observador de pássaro jurava que havia visto um pica-pau Lázaro, que todos acreditavam estar extinto desde a década de 40 e Benton Sage chegava a África para sua primeira missão da igreja na Etiópia onde descobre que levar a palavra de Deus é algo diferente do que ele imaginava. Em um dia comum Cullen Witter estava com seu melhor amigo Lucas Cader quando conheceu Alma Ember e também um dia comum quando Benton Sage conheceu Cabot Searcy em um quarto na universidade. É a partir dessa cadeia de acontecimentos e encontros que a história de como Gabriel, um garoto excepcional demais para uma cidade tão pequena, desaparece sem deixar rastros é contada em meio a uma cidade em polvorosa por um pássaro que pode ou não estar de volta.

Preferi fazer um parágrafo de apresentação diferente porque a história merece. Desde os primeiros capítulos ficamos na dúvida sobre aonde o autor quer nos levar com sua história e esse fato é o que move o leitor capítulo a capítulo. A curiosidade genuína que surge a partir de pontos de vistas tão diferente e aparentemente sem um rumo específico. A narrativa é ótima, a voz que o autor imprime a cada um de seus personagens é curiosa e bastante diferente. Cullen é o melhor dos narradores e seu humor irônico leve preenche as páginas com uma fluidez espantosa. As descrições é um acessório a mais para essa história tão singular.

Se você me perguntasse sobre o que esse livro é não poderia responder com sinceridade sem estragar a surpresa. Esse livro por trás da trama é sobre pessoas, segundas chances e o modo como elas podem agir. Corey Whaley tem um modo muito único de contar um drama de forma tão leve e natural, que soa como um daqueles casos que ouvimos no interior. É uma bela história, que vai surpreender o leitor de uma maneira ou de outra. O verdadeiro X por trás do sumiço de Gabriel é algo que não imaginei nem de longe. Muitas pessoas podem não compreender a forma como o autor conta sua história. O problema é que a beleza da história está na forma como ela foi contada. Eu achei o fim ambíguo, fica duas possibilidades no ar e adoraria saber o que o autor pensou na verdade. Existem finais felizes ou não?

Leitura rápida, que flui em um ritmo agradável e que vai cativar o leitor pela sua singularidade. Uma história para ser lida e sentida, não totalmente entendida. John Corey Whaley capta com precisão o clima de cidade pequena e a complexidade do ser humano. O autor troca de primeira pessoa para terceira pessoa quando Cullen está imaginando coisas que não estão acontecendo e essa é uma dica que deixo para você ver o final de outra forma. A edição da Novo Conceito está ótima, desde a tradução até a adaptação perfeita da capa. Recomendo a todos que cansaram do comum. Um jovem adulto que está na em uma linha muito embaçada entre o jovem adulto e o adulto. Uma história sobre segundas chances, realidade e pessoas comuns. Leiam e se surpreendam! Até mais!

14/04/2014

Resenha - As Mentiras de Locke Lamora


Nome: As Mentiras de Locke Lamora
No Original: The Lies of Locke Lamora
Autor (a): Scott Lynch
Tradutor (a): Fernanda Abreu
Páginas: 416
Editora: Arqueiro
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula. Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos, de quem mais valeria a pena roubar?, mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas. O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver. 

Conheci a série protagonizada por Locke Lamora pouco depois que comecei o blog e na época pensei que nunca veria o livro por aqui. Elogiado por grandes autores e tido como brilhante a história de Scott Lynch é mais do que uma fantasia. O autor vai além do mundo novo e das características comuns da fantasia, trazendo um protagonista tão fascinante quanto a trama, aliás, é impossível dizer o que é mais brilhante: o protagonista, a trama, o mundo ou a escrita. Um jogo de palavras e tramas fascinante. Gostei demais do conjunto todo, coisa difícil de acontecer. Conheçam.

A primeira coisa a se entender sobre Camorr é a intricada organização que existe na cidade. O submundo de Camorr é controlado por Capa Barsavi. Todos abaixo dele pagam para ficar fora do radar e não ser incomodado. Na base dessas organizações que trabalham na cidade está o Aliciador, ele é a base, e quando seus órfãos crescem com determinadas especialidades ele os vende para organizações maiores. Como em uma longa escada. Locke era um órfão de Camorr, a rica, bela e conturbada cidade com canais, pontes e prédios de pedra quando ele foi recolhido pelo Aliciador. Mas Locke é um perigo ávido demais para o Aliciador, que decide vendê-lo. O Padre Correntes para todos é o sacerdote cego da Casa de Perelandro, mas que não é nem cego e nem sacerdote de Perelandro. Correntes dirige uma organização pequena, requintada e invisível, os Nobres Vigaristas, acostumados a dar golpes tão sutis quanto desconcertantes. Seus órfãos são treinados não apenas na arte de roubar. São educados e afiados para soarem perfeito na pele de qualquer papel necessário. Locke Lamora, um garoto que aos cinco já impressionava por sua astúcia cresceu aprendendo o melhor, aperfeiçoando seu dom natural e agora se preparava para o maior golpe de suas vidas. Acompanhado de seus companheiros Nobres Vigaristas e depois de uma longa preparação se prepara para levar toda a fortuna de Dom Salvara. O plano era bom, as informações muitas, estava tudo no devido lugar, mas Locke não reparou na sombra que acompanhava seus movimentos do céu. E nem o inimigo invisível que queria eliminá-lo para ir em busca de um prêmio bem maior. O Espinho de Camorr é o alvo e ele terá de usar toda a astúcia do mundo para sobreviver a essa cruzada.

Intercalando passado e presente somos apresentados a Locke Lamora. Através de interlúdios muito bem encaixados o autor ganha o leitor antes de passarmos da página 50. A narrativa construída por Scott Lynch é um deleite para o leitor. Uma linguagem única, que prende e fascina o leitor. Sem se prender a longas descrições e a uma apresentação rebuscada do ambiente o autor consegue apenas com o correr da trama mergulhar o leitor em um mundo fascinante. A cidade de Camorr, sua organização, sua beleza e vida é passada ao leitor de forma vívida e marcante através da história. É surpreendente como o autor consegue esse feito de forma tão natural. É imperceptível a forma como ele introduz seu universo.

Aliando essa qualidade narrativa fora do comum a uma gama de personagens únicos, Lynch surpreende o leitor a cada virada em sua trama. Tanto no presente quanto nos interlúdios do passado a trama vai se desenrolando sem um minuto de previsibilidade e se você pensa que Locke é o herói dos heróis, o mocinho dos mocinhos está enganado. Ele é inteligente, bem-humorado, sem vergonha, perspicaz e audacioso, mas não é santo. Suas mentiras passeiam por toda escala de bondade a vilania, seu jogo é sempre a seu favor e daqueles que gosta. Lynch não poupa personagens, mortes acontecem e deixam o leitor pasmo. O ritmo do livro é ágil e engole o leitor, numa trama repleta de voltas que culmina em um fim fantástico. Não é à toa que o nome Locke soa tanto como Loki, o deus nórdico da trapaça. O articulador e caluniador que fazia o panteão nórdico de bobo com suas armações e planos. Lynch consegue um personagem ainda mais forte. Com problemas e segredos, e que deixa o leito em suspensão. O que virá agora?

Leitura rápida, imersiva e instigante. Ainda não me cansei de repetir que a construção da história é brilhante. Scott Lynch foi genial ao dar a história um cenário tão inovador e incrível. E mais ainda ao investir em um protagonista tão diferente do visto em fantasias. A edição da Arqueiro está ótima, desde a fonte até a escolha da capa. Uma história que se adaptada com fidelidade renderia filmes maravilhosos tanto esteticamente quanto pelo roteiro. Recomendado a todos. Não precisa ser fã de fantasia para ler esse. Perfeito para quem gosta de tramas inteligentes, intricadas, bem articuladas, surpreendentes e marcada por ótimos personagens. Leiam! Até mais!

Nobres Vigaristas - Scott Lynch
1- As Mentiras de Locke Lamora
2- Mares de Sangue
3- The Republic of Thieves
4- The Thorn of Emberlain
5- The Ministry of Necessity
6- The Mage and The Master Spy
7- Inherit The Night

13/04/2014

Resenha - O Último Homem Bom


Nome: O Último Homem Bom
No Original: Den sidste gode mand
Autor (a): A.J. Kazinski
Tradutor (a): Cristina Cupertino
Páginas: 480
Editora: Tordesilhas
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Em Pequim, um monge cai morto em sua cela. Uma marca terrível e desconhecida cobre-lhe as costas. Em Mumbai, um economista adorado por ajudar os pobres morre de forma repentina. Seu cadáver ostenta a mesma marca. Ao redor do mundo, há relatos de mortes semelhantes – e todas as vítimas eram humanitários. Em Veneza, um policial dedicado lança pela Interpol um alerta para a polícia das principais capitais do mundo: encontrem as pessoas boas do seu país e digam-lhes o que está acontecendo. Em Copenhague, onde estava para ser realizada a Conferência Mundial sobre o Clima, a tarefa é entregue ao detetive Niels Bentzon. Treinado para enxergar o pior da humanidade, a princípio ele não é bem-sucedido em sua busca. Quando já estava quase desistindo, conhece Hannah Lund, uma cientista brilhante que o ajuda a juntar as peças do quebra-cabeça: segundo as escrituras judaicas, a cada geração existem na terra 36 pessoas boas, ou “justas”. Sua função é proteger-nos, e sem elas a humanidade pereceria. Trinta e quatro estavam mortas e era preciso encontrar as outras duas.

No ano passado depois de cadastrar um ou dois livros da editora no Skoob e ir atrás de conhecer o catálogo deles acabei conhecendo o livro que é a estreia da dupla dinamarquesa Anders Rønnow Klarlund e Jacob Weinreich criaram sob o pseudônimo A.J. Kazinski. O livro, vendido para diversos países e bestseller internacional é uma mistura elegante de mistério policial com thriller conspiratório de mistério. Unindo perspicácia com uma pesquisa interessante acerca de uma lenda do judaísmo os autores desenvolveram sua história.

Niels Bentzon estava começando mais um dia de trabalho após uma difícil negociação no dia anterior quando seu chefe pediu que ele fizesse algumas pesquisas em um caso que havia chegado da Interpol. Não era nada seu chefe dissera, apenas uma prevenção para caso acontecesse algo e a polícia fosse culpada. Quando seu chefe falou que ele teria de ir atrás das pessoas boas da cidade e preveni-las ele não acreditou. Mas era isso mesmo. O alerta dizia que alguém estava matando as pessoas boas do mundo. Bentzon listou algumas pessoas, humanitários, advogados dos direitos humanos entre outras pessoas do meio e começou suas visitas apenas de praxe. Quando Niels vai atrás do marido de Hannah Lund descobre que ele se mudou para o Canadá, mas o mais importante é as informações que Hannah passa para ele. Hannah é uma astrofísica, de Q.I. elevado e que sempre foi brilhante. Hannah conhece a história dos 36 homens bons que Deus colocou na terra. A história vinda do judaísmo tem paralelos que não podem ser apenas coincidência. A lista de casos que o detetive italiano enviou pela Interpol é grande e pelos números que Hannah descobriu nas estranhas marcas nas vítimas ainda faltam muitas. Correndo contra o tempo e a pressão que surge pelas visitas importantes que a cidade vai receber Niels precisa descobrir se o caso é real e se for quem será a próxima vítima. O detetive italiano acredita que será na Dinamarca, mas quem e porquê? Como descobrir qual é a pessoa boa correta? E o detetive italiano, será essa apenas uma obsessão sem sentido ou um caso assustadoramente real?

É a partir dessa premissa que a história se desenrola e para um thriller policial com traços históricos a narrativa é bastante cadenciada. Os autores preferiram investir em mais densidade do que velocidade. Antes de finalmente chegarmos à conclusão de que o caso tem a ver com os 36 homens bons os autores desenvolveram bastante o protagonista e também outras pontas secundárias da história. Por um lado o ritmo mais lento na primeira metade foi ótimo para aumentar o clima tensão da trama, mas por outro teve pistas mal aproveitadas. A história flui de verdade e conquista a atenção do leitor a partir do momento que Hannah Lund entra na história. É ai que a história muda.

Hannah é uma personagem interessante desde sua primeira aparição. As curiosidades e informações que ele acrescenta ao caso são fantásticas, rendendo passagens ótimas, onde o leitor não só tenta montar o caso e descobrir o que está acontecendo como também se vê conhecendo coisas novas. O modo como Hannah descobriu o quadro geral dos assassinatos foi muito inteligente e tornou a parte final do livro muito melhor do que a primeira. O grande problema que tive foi a resolução do caso. O fim real do livro não me agradou. Estava esperando uma conclusão bombástica depois do ótimo meio e foi apenas bom.

Leitura que começa lenta e acelera a medida que o caso ganha mais informações. Os autores conseguem no geral uma história criativa, que peca em poucos aspectos e mantém o leitor preso até o final, instigado em busca de respostas e pelos personagens interessantes. A edição da Tordesilhas está ótima, diagramação e fonte. Uma pena que a capa não é a original que casa com a do segundo livro. Recomendado a todos que procuram um thriller diferente, que investe em personagens interessantes, em um cenário único e em uma trama de camadas, que se desvenda aos poucos. Leiam! Até mais!

Niels Bentzon - A.J. Kazinski
1- O Último Homem Bom
2- O Sono e A Morte
3- Sem Título Ainda

12/04/2014

Novidades e Lançamentos #193

Olá! Como vai o dia? Hoje trago para vocês os lançamentos da editora Rocco para o mês de abril. Quem acompanha as redes sociais e o Guia de Lançamentos já viu as capas e agora confere as sinopses e demais informações. Tem série nova, final de trilogia, mais um de uma série policial de livros avulsos, e ainda livro sobre o resgate de obras primas italianas durante a Segunda Grande Guera. Os livros já estão em pré-venda e no Skoob. Para seguir para o Skoob basta clicar em cada uma das capas. Vamos aos lançamentos:

Iniciada, de Amanda Hocking, 336 páginas.
Série que fez da jovem escritora Amanda Hocking um fenômeno da autopublicação, Trylle chega ao fim com Iniciada, terceiro volume da saga de Wendy Everly, uma criança troll trocada secretamente logo após o nascimento por uma humana normal. Depois de descobrir sua verdadeira origem e ser levada para o mundo mágico de Trylle e descobrir as complicações de sua nova vida, Wendy precisa fazer uma escolha impossível. Se não se entregar à Vítima, os Trylle precisarão travar uma guerra brutal contra um adversário invencível. Mas como Wendy poderia deixar todos os seus amigos para trás... ainda que essa seja a única forma de salvá-los?
EntreMundos, de Neil Gaiman & Michael Reaves, 248 páginas.
Joey Harker não é um herói. Na verdade, ele é o tipo de cara que se perde até na própria casa. Mas, um dia, Joey fica realmente perdido. Durante um inusitado teste de localização proposto pelo professor de Estudos Sociais, descobre ser um Andador, alguém capaz de deslocar-se de uma dimensão para outra. Ele caminha direto de seu mundo para outra dimensão. A caminhada entre os mundos acaba tornando Joey um prisioneiro dos exércitos da magia e da ciência, ambos determinados a usar seu poder de viajar entre as dimensões para dominar outros mundos. A única coisa que pode impedir que isso aconteça é o exército de Joeys, todos de diferentes dimensões, e todos determinados a salvar os universos. Agora Joey deve escolher: voltar à vida que ele conhecia ou se reunir à batalha até o Primeiro de uma trilogia de sucesso assinada a quatro mãos por Neil Gaiman e Michael Reaves, roteirista de TV premiado.

11/04/2014

Resenha - Convergente


Nome: Convergente
No Original: Allegiant
Autor (a): Veronica Roth
Tradutor (a): Lucas Peterson
Páginas: 528
Editora: Rocco
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: A sociedade que se dividia em Abnegação, Amizade, Audácia, Erudição e Franqueza encontra-se destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. Diante da oportunidade de explorar o mundo além dos limites que ela conhecia até então, Tris não hesita em partir, na esperança de ter uma vida nova ao lado de Quatro – livre de mentiras complicadas, lealdades suspeitas e memórias dolorosas. O que ela encontra, no entanto, é uma realidade ainda mais alarmante do que aquela deixada para trás. Antigas descobertas rapidamente perdem o sentido. Novas verdades explosivas transformam os corações daqueles que ela ama. Mais uma vez, Tris é obrigada a compreender as complexidades da natureza humana – e a si mesma –, enquanto convergem sobre ela escolhas impossíveis.

Ao contrário da maioria das pessoas nunca amei a trilogia criada por Veronica Roth e portanto não estava muito ansiosa para esse final. Para piorar a situação pouco tempo antes de o livro ser lançado ano passado fiquei sabendo sobre o final graças a um suposto vazamento. Não adiantou. Depois que soube do final da trilogia não conseguira me sentir curiosa em relação a esse fim. Foi ótimo a Rocco ter antecipado o lançamento, porque só assim conseguia encerrar o assunto. Conferindo o final com meus próprios olhos. 528 páginas depois posso dizer que foi diferente do que esperava, preferia um fim diferente, com mais consistência do que controvérsia.

Desde as revelações feitas no vídeo a sociedade está dividida. Evelyn está no comando, agindo com severidade contra todos os que se opõe ao fim das facções. Enquanto ela julga as pessoas que considera traidores um grupo de rebeldes que se intitulam Leiais cobram a volta das facções e à medida que a tensão entre os grupos aumenta a cidade se torna um lugar perigoso, onde um olhar pode levar a morte. Tris, Tobias e muitos outros pensam no que está do lado de fora da cerca. Nos motivos que levaram o povo a trancá-los na cidade. Quando os dois partem da cidade ao lado de Tori, Uriah, Christina e Cara não imaginam o que encontrarão do lado de fora. O que Tris e Tobias descobrem em um posto avançado há alguns quilômetros da cidade vai contra tudo o que eles esperavam. E em um conflito que já estava ficando perigosamente fatal um novo fator é inserido. Três lados em conflito, decisões difíceis, poder, traições e pessoas destruídas pelas escolhas alheias.

É a partir daí que a trama se desenvolve. Não posso falar muito da trama porque seria falta de educação para quem não leu e a resenha ficaria grande demais também. Antes de tudo gostaria de dizer que gostei muito dos dois primeiros e adoraria ter gostado desse também. Mas não foi o caso. Em minha opinião Veronica Roth errou em cada pequeno detalhe desse livro. Tris não amadurece nada nesse livro, tenta passar essa impressão, mas não passa. Tobias, de um cara forte, decidido e que enfrenta seus medos passou a um cara fraco, em constante batalha contra medos imaginários e que passa mais tempo amedrontado do que tudo.

Para piorar a situação diversas pontas da trama foram resolvidas de forma a simplificar o máximo possível o processo. Soro aqui, soro ali e soro no final. Uma história que simplifica sua resolução assim não termina do modo que terminou porque era para ser assim. Terminou da forma que terminou porque Roth quis mostrar que sua trilogia é mais madura do que outras e que as vezes a vida é triste e chocante. O que aconteceu no fim foi apenas para chocar. Se a autora estivesse realmente preocupada com redenção, maturidade e sacrifícios em favor do que amamos e achamos certo o que aconteceu teria sido com outro personagem. Um que realmente estava precisando mostrar que suas ações passadas foram erros e que ele iria até o fim para fazer o que é certo. O fim que Roth deu foi só para causar e desnecessário.

Leitura rápida, mas que a cada capítulo se mostra mais confusa e irrita bastante o leitor. Ora descrevendo demais alguns processos ora trazendo a mesma velha solução para os problemas. Além disso a autora introduziu algumas pontas na história que ficaram desamarradas e se mostraram inúteis. Não precisavam ter sido citadas. Sou a favor de mortes, mas quando elas casam com a trama, quando elas não são apenas para dizer que a trilogia é mais adulta e blablablá. A edição da Rocco está ótima, fonte, capa e até o título no quadro geral me convenceu. Curiosa para assistir aos filmes e espero sinceramente que esse seja um dos casos onde o fim do filme é alterado, de preferência para algo mais bem pensado e com mais propósito. Não sei se recomendo. Se amou demais os primeiros pode se decepcionar. Ainda mais que os personagens mudam muito e não para melhor. Leiam e julguem por si mesmos! Até mais!

Divergente - Veronica Roth
1- Divergente
2- Insurgente
3- Convergente

10/04/2014

Novidades e Lançamentos #192

Olá! Como vai o dia? Hoje trago para vocês os lançamentos de abril da Novo Século. Os livros entraram em pré-venda antes de ontem e você que acompanha tanto as redes sociais do blog quanto o Guia de Lançamentos já viram as capas. Agora você confere as sinopses e as demais informações. Os livros já estão no Skoob. Tem continuação muito esperada, thriller e muito mais. Vamos aos lançamentos:

O Cavaleiro de Bronze: O Portão Dourado, de Paullina Simons, 432 páginas.
No início da guerra, em 22 de junho de 1941, o dia em que Alexander e Tatiana se conheceram, havia três milhões de civis em Leningrado. Na primavera de 1942, apenas um milhão de pessoas permaneciam ali. E o cerco não havia terminado. Depois de deixar Tatiana e Dasha Metanova dentro de um caminhão que seguia pela Estrada da Vida com destino a Molotov, Alexander não tinha nada além de esperanças. Não havia uma única correspondência sequer de Dasha ou Tatiana, nada que indicasse que ambas haviam chegado em segurança a seu destino. Na segunda parte de uma das maiores sagas de amor de todos os tempos, será praticamente impossível conter a emoção ao acompanhar a busca obstinada do ilustre oficial do Exército Vermelho, Alexander Belov, por sua Tatiana. E ainda mais arrebatador presenciar se eles conseguirão viver esse intenso amor diante de tantas ameaças, em meio ao cruel cenário da Segunda Guerra Mundial.
Ex-Patriotas, de Peter Clines, 416 páginas.
O mundo é maior que Hollywood: a eletrizante sequência de Ex-heróis. Já se passaram dois anos desde que o apocalipse de ex-humanos praticamente exterminou a raça humana. Dois anos desde que os últimos sobreviventes de Los Angeles foram reunidos pelo grupo liderado por Stealth e St. George, passando a viver entre as muralhas de sua fortaleza, o Monte. Durante esse tempo, os super-heróis lutaram com todas as suas forças – e contra inimigos poderosos – para garantir aos refugiados um mínimo de paz e esperança. Mas agora os suprimentos vêm se tornando cada vez mais escassos, e a horda de zumbis parece cada vez mais perto de invadir o último refúgio de Hollywood. Eis que surge um lampejo de esperança, quando um batalhão do Exército americano entra em contato com os super-heróis. E não é apenas um batalhão comum: os homens e as mulheres do Projeto Krypton sobreviveram à catástrofe mundial por serem supersoldados, criados para serem mais rápidos, mais fortes e mais inteligentes que qualquer outro espécime da raça humana. Mas um segredo sombrio e extremamente poderoso se esconde no coração do Projeto Krypton. Em quem os super- heróis deverão depositar sua confiança?

09/04/2014

Resenha - Corvo Negro


Nome: Corvo Negro
No Original: Raven Black
Autor (a): Ann Cleeves
Tradutor (a): Carlos e Anna Duarte
Páginas: 352
Editora: Record
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Quando um de seus professores propõe à turma um trabalho sobre a região em que vivem, na Escócia, Catherine Ross decide fazer um documentário para mostrar os costumes locais. Porém, alguns dias depois, seu corpo é encontrado na neve. Todas as evidências logo apontam para Magnus Tait, um ancião que tem como única companhia um corvo e que, anos antes, foi acusado de matar a jovem Catriona Bruce. Mas ao procurar pelo documentário, o investigador Perez descobre que ele desapareceu. Agora, além de entender a conexão entre os crimes, ele precisará desvendar os segredos revelados pelo primeiro e único filme de Catherine Ross.

Quem acompanha os lançamentos da editora Record já deve ter percebido o quanto de séries policiais, thrillers e suspense investigativos eles lançam todos os meses. E para eu que acompanho desde antes o blog entrar no ar foi uma surpresa mais do que agradável notar que a editora tem lançado cada vez mais as séries pelo começo. Pararam de lançar misturado e por isso quando vi o livro da autora Ann Cleeves fiquei muito feliz. Com um cenário sem igual e um retrato fiel as cidades pequenas e isoladas, Cleeves consegue uma história intrigante e que instiga o leitor até um final surpreendente.

Quatro personagens, quatro frentes narrativas. A história começa nos apresentando Catherine Ross e sua amiga Sally Henry, de volta da festa de ano novo. As garotas andavam juntas desde que Catherine chegou a ilha e naquele dia indo para casa as duas como em um desafio visitaram Magnus Tait, o velho senhor que vive recluso desde que foi apontado como responsável pelo desaparecimento de Catriona Bruce. Uma menina de sete anos que sumiu sem deixar vestígios. Magnus na época foi brutalmente interrogado pela polícia, que sem provas o deixei ir. O preço foi passar a vida inteira excluído, aguentando olhares e cochichos. Quando Catherine é encontrada morta sob a neve por Fran Hunter as ilhas ficam em polvorosa. Todos desde Ravenswick até Lerwick acusam Magnus. Porém o detetive Jimmy Perez não está convencido de sua morte. Morar perto da cena não faz de Magnus um assassino. Enquanto isso Sally experimenta uma popularidade estranha no colégio e não consegue entender porque tanta comoção acerca da morte de Catherine, afinal ela não era querida por ninguém. E a medida que a vida de Catherine começa a ser desfiada pela polícia o detetive tem mais certeza que a morte de Catherine tem um motivo mais obscuro por trás. A personalidade forte de Catherine não casava com o sossego da ilha, e em um lugar onde segredos são guardados a sete chaves perguntas demais nunca são bem-vindas. Correndo contra o tempo Perez tem de descobrir o verdadeiro assassino antes que a população decida fazer justiça com as próprias mãos indo atrás de quem não provavelmente não tem nada a ver com a morte...

É a partir dessa trama que a história se desenvolve e o que mais se destaca a princípio é o cenário, as ilhas de Shetland é um cenário curioso e incrível. Procurei no Google Maps e fiquei impressionada com tudo, desde os campos, as casas de pedra e a forma como a autora usou o ambiente em favor da história foi perfeito. A narrativa de Cleeves alterna como disse entre quatro personagens centrais e alguns outros secundários que aparecem aqui e ali, sendo o tom bastante cadenciado, sempre mais lento o ritmo não acelera muito nem no final, permanecendo sempre tenso e sufocante.

As descrições como disse funcionam muito em favor da história assim como na construção dos personagens. Os narradores possuem personalidades distintas e as visões de cada um deixa a investigação bem interessante. Não conseguimos decifrar quem foi o assassino visto que dois personagens agem de forma muito suspeita e os motivos não são claros. A autora ainda aproveita nesse primeiro volume da série para nos apresentar Perez, o detetive que lidera a série de livros, por isso mesmo o ritmo foi mais lento. Eu gostei muito do estilo do detetive e muito do tom da série. Por se passar em um conjunto de ilhas e ainda com pouca população a investigação é conduzida de forma muito diferente, e funciona bem para quem quer uma trama inovadora e intrigante.

Leitura que flui rápida e envolve o leitor desde o começo, nos intrigando e instigando pelos meandros do caso central. Ann Cleeves conhece muito bem Shetlands e isso fica claro na história. Fiquei fascinada com o lugar. Um lugar que dá vontade de morar só de ver. A série de livros foi adaptada pela BBC e cada dois episódios é um livro. Dos cinco livros foram adaptados quatro e vai continuar se a autora lançar mais volumes. Estou assistindo e gostei muito. A edição da Record está ótima, fonte, capa e tradução, tudo muito cuidadoso. Recomendado a todos que procuram um policial investigativo diferente, atual e instigante, com um ambiente único e personagens interessantes. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Shetland - Ann Cleeves
1- Corvo Negro
2- White Nights
3- Red Bones
4- Blue Lightning
5- Dead Water

08/04/2014

Promoção - Doctor Who - 1º Doctor e 2º Doctor

Olá! Está entrando no ar a centésima décima nona promoção do Cultivando a Leitura e mais uma em parceria com a editora Rocco. O sorteio é dos dois primeiros contos que abrem a série especial de 50 anos da série Doctor Who. A série conta com 11 contos de 11 autores bestsellers cada um com um doctor diferente. Nas últimas semanas a editora lançou "Uma Mãozinha Para O Doutor" de Eoin Colfer e "A Cidade Sem Nome" de Michael Scott. Depois deles ainda teremos autores como Neil Gaiman, Richelle Mead, Philp Reeve, Alex Scarrow e mais. Os contos são perfeitos para os fãs da série por resgatar uma história de cada doctor, mas mais ainda, é uma porta de entrada para o leitor que ainda não conhece a série. Considerada a maior ficção-científica da televisão a série já é parte da cultura britânica e ganhou o mundo, de geração em geração. Se você ainda não conhece comece pelos contos, te garanto que não irá se arrepender. Esse par de contos será sorteado via Rafflecopter e você tem até o dia 23 para participar. Vamos a promoção: