28/08/2014

Aclamada trilogia de Chris Weitz já possui capa nacional

Olá! Como vai o dia? Hoje trago para vocês uma notícia que muitos estavam esperando. A trilogia Mundo Novo, do autor e diretor de cinema Chris Weitz, chega em setembro pela editora Seguinte. A editora que tinha confirmado o lançamento para esse 2º semestre revelou a capa nacional e o livro entrou em pré-venda hoje. O livro já está no Skoob e para seguir para lá basta clicar no link acima. Vamos a capa e a sinopse:

Mundo Novo, de Chris Weitz, 328 páginas.
Depois que um misterioso vírus erradicou toda a população exceto os adolescentes, os jovens dividem-se em tribos para sobreviver. Jefferson, o inseguro líder da tribo da Washington Square, e Donna, a garota por quem ele está secretamente apaixonado, se estabelecem precariamente em meio ao caos. Porém, quando outro integrante do bando descobre uma pista que pode levar à cura da doença, eles partem em uma viagem arriscada para salvar o que restou da humanidade. Alternando entre os pontos de vista de Jeff e Donna, descobrimos uma Nova York muito diferente: os animais do zoológico do Central Park agora vivem soltos na região, a Grand Central Station virou um enorme mercado… e há tribos inimigas por toda a parte. Enquanto enfrentam todos esses perigos, Jeff tenta criar coragem para se declarar, e Donna luta para entender seus próprios sentimentos — afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.

E ai? Gostaram da novidade? Eu adorei ver a trilogia saindo, mas achei a capa um pouco estranha, deu um clima e tanto ao livro, mas me surpreendi. Ficou bem legal e lembrou-me de Battle Royale. Achei legal a Seguinte mudar o visual do livro, mas aposto que tem leitor que não vai gostar. Enfim. Comentem aí. Pretendem ler? A editora acertou na trilogia distópica anterior, será que essa também vai decolar? Por enquanto é isso! Até mais!

27/08/2014

Novidades e Lançamentos #202

Olá! Como vai o dia? Em mais uma edição da coluna de lançamentos hoje trago para vocês os próximos lançamentos da Record, que traz continuação de série famosa, chick-lit do pseudônimo da bestseller Sophie Kinsella, nova série policial, thrillers, históricos, nacionais e mais. Os livros já estão todos no Skoob e a maioria você já encontra em pré-venda. Além disso quem está em São Paulo já pode comprar os livros na Bienal. Vamos aos lançamentos:

Encontros no Parque, de Hilary Boyd, 336 páginas. Tradução: Eliane Fraga.
Em mais de trinta anos de casada, Jeanie sempre foi uma esposa amorosa e mãe dedicada. E agora é avó –  com muito orgulho. Ela se considera feliz, apesar de George, o marido, ter passado a dormir em outro quarto há vários anos, sem lhe dar qualquer explicação.  Certo dia, enquanto leva a neta para passear no parque, Jeanie conhece Ray, que está ali também na companhia do neto. Ray parece ser tudo o que George não é: compreensivo, bom ouvinte, alguém com quem ela consegue se abrir e sexy. De repente, Jeanie se sente atraente de novo e, sem querer, apaixona-se perdidamente. Ela sabe muito bem que sua nova paixão ameaça tudo o que construiu ao longo dos anos, mas sente que vai ser difícil abrir mão dela. Será que Jeanie teria a coragem necessária para mergulhar no turbilhão de um novo romance e de uma paixão avassaladora a essa altura da vida?
Drinques Para Três, de Madeleine Wickham, 352 páginas. Tradução: Alice França.
Inteligentes e bem-sucedidas, todas trabalham para a mesma revista em Londres e, uma vez por mês, se encontram em um bar para colocar o papo em dia. Mas, apesar de saber que podem contar uma com a outra, preferem guardar certos segredos a sete chaves. A bela Roxanne há anos mantém um relacionamento com um homem casado; a competente Maggie de repente se vê prestes a assumir uma função para a qual não se julga preparada; e a doce Candice, da noite para o dia, resolve que precisa prestar contas com o passado. Só que o que Candice não imagina é que essa resolução vai dar início a uma série de acontecimentos que poderão abalar para sempre a amizade das três.

Liberada capa nacional de Star Wars: O Código do Caçador de Recompensa

Olá! Como vai o dia? A Bertrand Brasil liberou a capa da versão nacional do guia "Star Wars: O Código do Caçador de Recompensa" do autor Daniel Wallace. Seguindo os lançamentos dos guias O Caminho Jedi e Livro dos Sith a editora lança em dezembro próximo o livro organizado por Boba Fett. Para fãs como eu os guias são ótimas aquisições que complementam tudo o que saí por aqui de Star Wars. O livro já está no Skoob e assim que sair a pré-venda eu aviso nas redes sociais. Confira a capa nacional:

Star Wars: O Código do Caçador de Recompensa
Star Wars: O Código do Caçador de Recompensa, de Daniel Wallace, 160 páginas.
O livro, organizado por Boba Fett, o lendário caçador de recompensa, funciona como um guia a respeito das ferramentas e das técnicas essenciais a todos os caçadores de recompensa. O leitor obterá os conceitos básicos sobre como ganhar a vida à margem da lei galáctica. A obra segue o mesmo estilo dos títulos anteriores da série: O caminho Jedi e Livro dos Sith.

E ai? Gostaram da novidade? Eu adorei e já imaginava que a editora fosse lançar mais uma vez no final do ano. Para os aficionados pela série informação nunca é demais, e os guias são legais de ter. Comentem aí o que acharam da novidade. Para seguir para o Skoob basta clicar no link do título na parte de cima. Aproveitem e comentem também o que vocês gostariam que saísse por aqui de Star Wars que ainda não saiu? Além dos livros do universo expandido claro, que já vão sair por outra editora. Enfim. Por enquanto é isso! Até mais! 

26/08/2014

Resenha - Escola Noturna


Nome: Escola Noturna
No Original: Night School
Autor (a): C.J. Daugherty
Tradutor (a): Rita Sussekind
Páginas: 336
Editora: Suma de Letras
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Quando a adolescente problemática Allie Sheridan vai presa de novo, seus pais decidem que já estão fartos. Assim, ela é despachada para a Academia Cimmeria, um colégio interno bem distante dos seus amigos londrinos. A academia é uma bela construção, cheia de adolescentes lindos e milionários do tipo que viaja de jatinho, foi criado pela babá e só faz compras nos endereços mais exclusivos. Em Escola Noturna, primeiro volume de uma trilogia, Allie faz novas amizades e conhece Carter, um rapaz solitário com quem ela sente uma conexão imediata. Só que seus colegas, e talvez até alguns dos professores, estão protegendo um segredo sombrio. Quando o perigo começa a rondar os muros da escola e a violência se torna realidade, Allie terá que decidir em quem confiar, se quiser descobrir o que está acontecendo.

Desde antes o livro ser lançado por aqui tinha curiosidade de saber sobre o que era a história. A sinopse era misteriosa e todas as resenhas que li no site Goodreads eram bastante vagas por isso quando a Suma comprou a série fiquei bastante animada. Porém o lançamento passou e só agora, por um acaso, acabei com o livro em mãos, comecei a ler e quando vi já tinha terminado. A história apresentada por Daugherty tem realmente um ótimo cenário e nesse primeiro momento cumpre bem a missão de deixar o leitor ainda mais curioso com os mistérios da série. Conheçam.

Allie estava em mais um de suas travessuras, pichando a porta do diretor no meio da noite, mas sua sorte acaba quando ela cai direto nos braços da polícia sendo presa pela terceira vez. Para surpresa e horror de Allie seus pais decidem enviá-la para um escola interna no meio do nada. Sem telefone, notebook ou ipod, Allie fica isolada, e não pode nem mesmo contar o nome da escola para seus amigos. As surpresas não param por aí. Chegando na imensa propriedade Allie fica horrorizada ao notar que não existe nada de tecnológico na escola. Sem telefones, sem computadores, sem nada que remeta ao século atual. A casa é enorme, no melhor estilo dos castelos do interior da Inglaterra. Cercada por uma imensa propriedade verde, margeada por uma grande floresta, com uma sala de jogos com sofás de couro, uma biblioteca gigantesca e quartos individuais no mesmo estilo, a Academia Cimmeria recebe apenas alunos privilegiados, filhos de milionários, diplomatas, governantes, espiões e vindos de famílias com séculos de história. Allie não consegue entender como foi aceita, seus pais não são nada disso. Lidando com regras estranhas e rígidas, Allie pouco a pouco começa a gostar do lugar. É tanta coisa para estudar que não tem tempo de pensar muito em outra coisa. Sua amizade com Jo também ajuda e tem a atração imediata com o garoto mais desejado do lugar, Sylvain. Porém nem tudo é o que parece. Carter, o garoto conhecido por criticar o esnobismo de todos e por ficar cada hora com uma garota alerta Allie para tomar cuidado com Sylvain, mas Carter é tão irritante que ela não consegue considerar o que ele fala. Mas à medida que os dias passam e estranhas coisas começam a acontecer, Allie começa a imaginar o que há de errado com o lugar. Por que tanto segredo? O que é a Escola Noturna e por que tanto segredo em torno de suas atividades? Será que Carter está certo em seus temores? Por que ela foi aceita?

É a partir dessa premissa que a história se desenvolve, primeiro situando o leitor e pouco a pouco conduzindo-nos pelos segredos da antiga academia Cimmeria. Comecei o livro pensando em uma marcação que o livro ganhou no Goodreads e terminei sem saber ao certo se ela é mesmo verdadeira. Essa falta de definição mesmo depois do fim deixa o leitor bastante ansioso para o próximo livro e pode deixar alguns bem irritados, afinal todos gostamos de respostas. A narração em primeira pessoa é cativante e assim como a protagonista nos envolvemos fácil com o clima e o mistério sombrio da academia. Daugherty fez um ótimo trabalho aliando o desenvolver da trama com a apresentação detalhada do ambiente. Adoro quando o cenário de colégio interno é intricado a trama de forma inteligente.

A cada acontecimento estranho me vi mais e mais curiosa para saber a verdade, porém para minha surpresa a reviravolta da história envolve mais Allie do que a academia. De forma perspicaz a autora entrega pistas nas entrelinhas do que vem por aí, e habilmente trabalha outra história sobre essas pistas. Por exemplo toda a história de Allie com Sylvain aponta para uma coisa, quando sua história com Carter já desenvolve outra. Seria uma mistura de realidade com os tais seres que acho que estão na trama? Não sei, só sei que o ritmo é ágil e gostoso, instiga o leitor e ainda consegue ser criativo. Os personagens são muito bons. Gostei do trio principal e estou bastante curiosa para saber mais sobre Sylvain, Carter, Allie e todos os outros

A leitura é rápida e fluida, instigando pelo belo cenário, pelo clima tenso e sombrio, mas também pela trama. C.J. Daugherty consegue um primeiro livro que apresenta bem todo o universo, criando mais expectativas ao mesmo tempo que deixa respostas diferentes para perguntas não feitas. Espero agora ter as respostas das perguntas que todos que leram o primeiro livro estão fazendo. A edição da Suma de Letras está ótima, boa opção de capa e fonte agradável. Se adaptado o livro renderia um filme bastante sufocante e tenso. Recomendado a todos que procuram uma série jovem adulto cercada de mistérios, segredos e suspense. Que intrica com destreza personagens e trama, criando algo inovador e cativante. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Escola Noturna - C.J. Daugherty
1- Escola Noturna
2- Legacy
3- Fracture
4- Resistance
5- Endgame

25/08/2014

Resenha - Battlefield 4: Contagem Regressiva


Nome: Contagem Regressiva
No Original: Countdown To War
Autor (a): Peter Grimsdale
Tradutor (a): Ryta Vinagre
Páginas: 308
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: O operativo da CIA Lazlo Kovic está em maus lençóis. Após uma missão conjunta Estados Unidos – China nas fronteiras da Coréia do Norte que acaba em desastre, Kovic é o único sobrevivente. E, de ambos os lados, enfrenta suspeitas – como voltou? Por que é o único a voltar? Seus superiores na CIA lhe observam com suspeita, e a inteligência chinesa parece querer usar o desastre para seus próprios interesses. Ao retornar para a base em Xangai, Kovic planeja seu próximo movimento. Agora precisa dar um jeito de se safar dessa conspiração que coloca seus tentáculos ao redor dele, e desmascarar a rede de mentiras – chinesa e americana – na qual está envolvido.

Quando a Galera lançou o livro não estava esperando, Battlefield é um jogo que joguei poucas vezes, mas que gosto bastante por causa do enredo envolvendo guerras, militares, etc. Battlefield 4: Contagem Regressiva é a história que precede a história do jogo e entrega uma história de ação mordaz, intrigas internacionais, traições e amizade. Peter Grimsdale faz um bom serviço, deixa o leitor curioso para o jogo, e entrega uma história que vai agradar aos que gostam do tema independente de conhecer o jogo.

Kovic estava a caminho de mais uma missão, dessa vez com um grupo de soldados em direção à fronteira da China com a Coreia do Norte. Quando tudo dá errado e Kovic protegido pela neve vê seus companheiros de missão serem um a um assassinados, ele não consegue acreditar. O que deu errado? Kovic é interrogado e muitos desconfiam de sua volta, e com os protestos correndo solto pelas ruas chinesas ele sabe que tem alguém manipulando a situação. Alguém não quer os Estados Unidos como amigo da China. Fotos dos mortos foram alteradas, muitos estão procurando culpados e Kovic não pretende deixar a morte de seus companheiros de missão passar em branco. Investigando quem está organizando as manifestações, Kovic descobre um grande grupo que costuma sumir com problemas, mas depois de sua visita, Kovic é atacado, preso e interrogado pelo governo chinês. Quando sua casa pega fogo e sua namorada é morta, todos consideram que Kovic é quem foi morto no incêndio. Aproveitando a triste oportunidade, e com a ajuda da agente chinesa que o prendeu, Hannah, mas alguns amigos, ele perseguirá a verdade, mesmo que isso custe sua liberdade. Fazendo escolhas difíceis pelo caminho e lidando com assassinos, torturados e traidores, o que Kovic descobrir pode evitar uma enorme guerra entre Estados Unidos e China.

Esse é o ponto de partida da história e com uma narrativa que investe em ação e em cenários bem descritos o autor leva o leitor por uma trama que mergulha nos momentos de tensão que precedem a guerra. O protagonista é o narrador principal, mas divide o livro com outros pontos de vista aqui e ali. A trama é rápida e o ritmo de mantém forte na maior parte da história, e consegue instigar o leitor, nos deixando curiosos com as perguntas que vão surgindo. A trama dos assassinatos e a armação como desculpa começar a guerra foi boa, mas a história mudou bastante de rumo do começo para o fim, algumas coisas aconteceram bem de repente, e me senti assim como o protagonista bem perdido com as viradas da história.

A leitura é rápida e o autor intricou bem as camadas da história deixando no final a ponta perfeita que se interliga ao jogo. Kovic é um personagem que conseguiu segurar o interesse do leitor, e terminamos curiosos para saber mais do futuro do personagem. A edição da Galera está muito boa, tanto a fonte é agradável quanto a capa bem adaptada. A única coisa que achei estranho diversas vezes foi algumas opções que a tradução fez na hora de usar linguagem pesada. Várias palavras foram atenuadas, deu para notar, mas em outros momentos foi livre mesmo, não ficando nem lá nem cá. Recomendo a todos que gostam de histórias com ação, perseguições, intrigas e suspense. Se você conhece o jogo vai adorar mais um pouco da história e se não conhece vai conseguir apreciar apenas pela trama cheia de reviravoltas e segredos. Leiam e se surpreendam! Até mais!

24/08/2014

Resenha - O Condado de Citrus


Nome: O Condado de Citrus
No Original: Citrus County
Autor (a): John Brandon
Tradutor (a): Gustavo Mesquita
Páginas: 288
Editora: Galera
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: A Flórida do condado de Citrus não se parece em nada com aquelas imagens de televisão, com um clima convidativo, coqueiros e surfistas. Shelby Register, de quatorze anos, se muda para a cidade com cheiro de pântano com seu pai e irmã após a morte da mãe. Talvez a única coisa que a interesse seja o tal Toby McNurse, um delinquente sem cura que cumpre suas dezenas de detenções acumuladas. Já Toby não vê sentido na vida, nas paixões dos adultos, nas diversões dos amigos. Só sabe, em seu âmago, que está em seu destino fazer o mal. E ao observar as angelicais irmãs Register, sabe que o chamado de sua alma está prestes a ser atendido.

Quando solicitei o livro não imaginei que iria encontrar uma história tão diferente e que consegue perturbar o leitor ao mesmo tempo que nos deixa confusos. Ainda não sei bem se o livro é mais do que bom. A história se desenrola em um cenário imersivo e sufocante, úmido e quente. John Brandon narra sua história de forma única, apresenta personagens estranhos, controversos, mas que mantém o leitor preso até o fim. Conheçam e entendam.

A história apresenta Toby, Shelby e o Sr. Hibma, três vozes narrativas distintas que constroem em três partes uma trama cheia de estranheza. Toby vive com o tio no meio da mata que cerca a cidade, sozinho vaga pela cidade e pela mata de um jeito indolente, não liga para nada e nem se prende a ninguém, sabe que é melhor do que o condado de caipiras a sua volta, está sempre entediado e sabe que está destinado a algo maior, ele não sabe o quê. Quando Shelby chega a cidade com sua irmã e pai, Toby automaticamente odeia a garota e sua atitude segura, de quem sabe o que está fazendo e sabe seu lugar no mundo. A vida de Toby muda quando ele encontra Shelby e sua irmã Kaley no balanço, ele fica hipnotizado pela irmã dela no balanço e sente que chegou sua hora. Enquanto isso, na escola o Sr. Hibma abomina a si mesmo, a suas decisões e ao condado onde veio morar. Ele odeia os outros professores, a indolência dos estudantes e a mente pequena de todos, odeia o que virou. Acompanhamos esses três personagens. Depois que Toby faz o que faz, que a irmã de Shelby é sequestrada, tudo parece mudar. Porém com o passar das semanas Toby percebe que nada mudou, que continua infeliz com sua vida, que continua preso e pequeno, ninguém ainda enxergou o que ele é, que ele é melhor e mais do que todos. Enquanto Shelby passa pelo choque de ter a irmã sequestrada de forma mais diferente ainda, andando atrás de Toby, tentando compreendê-lo enquanto tenta mudar a si mesmo.

É a partir dessa estranha premissa que a história acontece, digo acontece porque é essa a impressão que tive, a história não se desenvolve, ela acontece. Em um momento conhecemos Toby e os demais personagens, logo a frente somos confrontados com suas ações e daí para o fim pouco realmente acontece. O que temos é um trio de personagens que se analisa do início ao fim, o tempo todo a narrativa acompanha os pensamentos dos três e a vida dos três no condado mais úmido, quente e caipira da Flórida. Com temas que vão de insatisfação pessoal, consciência, medos, ostracismo a descoberta de si próprio, o autor apresenta uma história única e inusitada, que deixa o leitor sem saber o que pensar.

Os três personagens centrais apenas pensam em fazer, Toby começa, mas não sabe como terminar, e percebe que talvez não esteja destinado a fazer o que ele fez. É um tanto confuso o encerrar da história porque queremos saber como termina o assunto entre Toby e Shelby, mas não podemos. O autor parou antes e adoraria ver como seria uma conversa entre eles. Se alguém um dia vai notar o que realmente aconteceu. É uma história de escolha e a sensação que fica é que a trama toda se passa em uma encruzilhada, a encruzilhada de Toby, Shelby e Sr. Hibma.

A leitura é fluida e rápida, mas trava o leitor durante várias passagens porque não sabemos como reagir ao que estamos lendo. É estranho, sufocante e tenso, queremos gritar com os personagens, principalmente com Toby, enchê-lo de perguntas e vê-lo sem ação, John Brandon pegou leve com o próprio personagem e espero que um dia ele volte em outro livro só sobre Toby anos depois de tudo que aconteceu. A edição da Galera está ótima, fonte boa, ótima escolha de capa e tradução. A história renderia um filme estranho, mas que se bem desenvolvido poderia ser um dos melhores filmes jovens dos últimos anos. Recomendo a todos que querem algo novo, perturbador, mas irritante, que prende e leve o leitor a pensar na história, diferente por motivos impossíveis. Leiam e entendam. Até mais!

20/08/2014

Resenha - Túneis da Morte


Nome: Túneis da Morte
No Original: Sorrowline
Autor (a): Niel Bushnell
Tradutor (a): Denise de C. Rocha Delela
Páginas: 280
Editora: Jangada
Comprar: Travessa - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Quando Jack Morrow descobre que não é um menino comum, ele é arrastado quase imediatamente numa aventura surpreendente, muito além de qualquer coisa que um dia tenha imaginado. Isso porque Jack é um Viajante, alguém com a capacidade de viajar através das Necrovias, túneis que ligam cada lápide ao dia em que a pessoa morreu. Ao se ver na Londres devastada pela Segunda Guerra Mundial, na companhia de David, seu avô, na época ainda adolescente, Jack percebe que sua chegada a 1940 não passou despercebida. Forças malignas de um mundo secreto são convocadas a encontrá- lo. Enquanto Jack luta para sobreviver nessa aventura cheia de perigos e surpresas, ele acaba por desvendar o segredo sombrio da sua família, e se empenha, numa corrida contra o tempo, para tentar mudar o seu destino...

Quando soube que a Jangada lançaria a série do britânico Niel Bushnell fiquei muito feliz, primeiro porque não resisto a histórias de viagem no tempo e segundo porque a premissa é bastante criativa. Ligar túmulos pela história abrindo vias para viagem no tempo? Incrível. Nesse primeiro volume o autor faz mais do que introduzir seu universo, intrincando mistérios e suspense e nos conquistando com personagens e elementos curiosos. Conheçam o primeiro livro da trilogia Necrovias.

Mais uma vez o pai de Jack o levara ao túmulo da mãe para um de suas despedidas. Nos últimos tempos o pai dele ficava mais fora de casa do que tudo e Jack estava cansado de ficar na casa de um e de outro. Não ia facilitar as coisas para o pai e seus desaparecimentos, ao se ajoelhar do lado da lápide de sua mãe, contornando com a mão todos os detalhes que já estão gravados em sua mente algo muito estranho acontece. Uma luz gélida em sua mente, e de repente, Jack se vê envolto em memórias de sua mãe, mas de uma forma diferente e quando o ar escurece e para, Jack já não está no cemitério com seu pai. Ainda tonto ouve uma voz ao seu lado. Um homem, mais velho, que diz ser seu avô e mesmo com uma conversa maluca, Jack sabe que ele está falando a verdade. Ele estava em 2008, tinha voltado para a data exata da morte da mãe. Sem tempo seu avô lhe conta sobre as necrovias e como é possível viajar de uma lápide a outra. Escolhendo uma lápide de 1940 seu avô o manda fugir, Jack quer respostas, mas tudo o que ouve é algo sobre uma rosa e sobre ter que protegê-la, ele não sabe como fazer aquilo de novo, mas ao ver criaturas estranhas atacando sabe que precisa partir. Chegando a Londres em meio a Blitz alemã, Jack encontra a versão mais jovem de seu avó, Davey, que fica surpreso ao saber que ele vem do futuro, geralmente viajantes não voltam tanto ao passado, quando Jack cita a Rosa, o nome de Rouland e as Paladinas surgem no bar caçando um menino recém chegado, Davey tem certeza que ele está envolvido em algo muito maior. Entre fugas arriscadas, túneis subterrâneos e viagens no tempo, Jack descobrirá um mundo novo, assustador e verdades dolorosas.

É a partir daí que o autor constrói sua trama, criando uma nova versão de viagem no tempo criativa e perspicaz, que funciona bastante bem, sem deixar os buracos que sempre surgem quando o assunto é viagem no tempo. É um tanto sombrio essa ligação entre as lápides e o fato que é preciso delas para viajar, tornando a velha vontade de voltar no tempo para salvar alguém impossível, mas gostei muito dos elementos que Bushnell inseriu na história. Os papões, as paladinas, os homens pó e muitos outros que tornam a leitura deliciosa e cativante. O suspense e a ação mantém o leitor preso as páginas assim como a relação estranha entre Jack e Davey, que leva o leitor em uma viagem realista de como a amizade pode ser difícil.

Aliando a inovação do universo, com os ótimos personagens e vários elementos criativos temos uma ambientação marcante, com descrições acertadas que só fazem enriquecer o conjunto todo. Jack é um ótimo protagonista e a narração em terceira pessoa envolvente de maneira única, o clima da história é sombrio, ambientação noturna que aumenta o suspense deixando o leitor alerta. Bushnell não escolheu o caminho mais fácil, em nenhum dos aspectos simplificou, indo além com as complicações na vida dos personagens e com o rumo da história surpreende o leitor. Estou ansiosa para a continuação.

Leitura rápida, instigante e que fascina com elementos criativos, um universo inovador e interessante, Niel Bushnell desenvolveu muito bem a história que criou. A edição da Jangada está ótima, fonte agradável, boa escolha de título e uma ótima capa. Adoraria ver a história no cinema, além do clima sombrio os elementos são bem interessantes, o cenário e tudo, renderia um filme ótimo. Recomendado a todos que procuram uma trilogia jovem que instiga e cativa, com mistérios, ação, segredos e um ritmo vertiginoso. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Necrovias - Niel Bushnell
1- Túneis da Morte
2- Timesmith
3- Sem Título Ainda

Resenha - O Doador de Memórias


Nome: O Doador de Memórias
No Original: The Giver
Autor (a): Lois Lowry
Tradutor (a): Maria Luiza Newlands
Páginas: 192
Editora: Arqueiro
Comprar: Submarino - Siciliano - Saraiva - Cultura
Sinopse: Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente – o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar. 

Faz muito tempo que queria ler a história criada por Lois Lowry, mas sempre encontrei o livro indisponível e pouco depois a editora anunciou que a edição estava esgotada, por isso acabou passando. Como o primeiro de um dos quartetos mais elogiados da distopia, o livro acabou ganhando as telas e com isso uma nova edição. Mesmo relutando pela capa de filme e pela mudança no título devido ao filme acabei solicitando o livro e foi uma das melhores decisões que tomei. Lois Lowry é uma autora excepcional e sua história tocante, conheçam o primeiro do quarteto O Doador.

A história acompanha Jonas, um garoto que vive em uma comunidade onde tudo é perfeito e ordenado. Bebês nascem das mães biológicas, passam pelos Criadores e depois disso são encaminhados para as famílias que solicitam. Jonas tem uma irmã, que foi solicitada quando ele tinha 4 anos. Agora ele é um Onze e aguarda ansioso para ser um Doze, quando os anciões indicarão que carreira ele irá seguir. Seu pai é um criador, e adora o que faz. Todo dia eles compartilham os sentimentos a noite e os sonhos pela manhã. Todo morador da comunidade recebe sua bicicleta quando vira um Nove, toda pessoa é punida quando fala algo sem sentido, desnecessário ou errado, ao contrário. Tudo parece perfeito e organizado, Jonas não poderia achar mais confortável e correta a vida que leva. Quando os filhos saem de casa os pais vão para a área dos adultos sem filho e quando ficam idosos vão para o lar onde depois serão dispensados. Os anciões também escolhem com quem cada um formará uma unidade familiar. O pai de Jonas está com um bebê que se não crescer será dispensado e Jonas imagina se em Alhures alguém ficará com ele. Quando na cerimônia é escolhido para ser o Recebedor sua família fica honrada, mas ele está com medo, e quando começa a descobrir que sua vida era uma ilusão e que por trás da estabilidade existem verdades macabras, Jonas terá que escolher se tem forças para lutar contra tudo ou se apenas aceitará o fardo.

Esse é o ponto de partida da história e fiquei bastante da dúvida sobre o que falar e o que omitir. A história apresentada por Lowry precisa ser desvendada pouco a pouco, cada fato e cada costume, cada pequeno detalhe é importante e à medida que a realidade foi sendo desvendada tanto por Jonas quanto pelo leitor ficamos chocados. Desde o começo fica nítido que tem algo muito errado ou no mínimo muito diferente no lugar onde Jonas vive. Seja a partir das descrições, do ambiente ou a partir do que o protagonista comenta, o universo da história é envolvente, e o clima de utopia perfeita e sinistra lembrou-me do grande clássico de Aldous Huxley.

Espero sinceramente que a editora lance o restante do quarteto o quanto antes, o fim deixa a conclusão em aberto de uma forma diferente, mas que ainda assim pede mais, mesmo os outros livros partindo de outros pontos e não de Jonas. Não sei como quem leu anos atrás a primeira edição ainda não teve um colapso esperando as outras histórias que fecham o universo. Jonas é um bom protagonista e tende a crescer ainda mais, sua atitude para com Gabriel foi um dos pontos altos da história assim como a amizade entre ele e o Doador, a narração é bastante intuitiva e apesar de descobrimos bastante coisas antes de Jonas partindo de simples dedução, temos a impressão de que estamos junto com Jonas em suas descobertas. Espero que a autora explique mais no próximo como o processo das memórias funciona e como a comunidade ficou como é, se é a única e o máximo de detalhes que puder.

Leitura rápida, imersiva e tocante. Lois Lowry joga com o clima utópico e o contraste entre a inocência das palavras da irmã de Jonas e dos próprios adultos, e imprime na história de forma profunda a discussão do que é preciso pagar para ter uma sociedade livre do que consideramos os males do mundo. Vale a pena pagar o preço? Queremos mesmo estabilidade e paz a qualquer preço? Do que abriríamos mão no processo para isso acontecer? A edição da Arqueiro está ótima, menos na capa do filme e na troca do título. Ainda não vi o filme, mas acredito que mudaram algumas coisas. Recomendado a todos que querem uma distopia mais densa, mais tocante, que choca e faz pensar. Leiam e se surpreendam! Até mais!

Quarteto O Doador - Lois Lowry
1- O Doador de Memórias
2- Gathering Blue
3- Messenger
4- Son